O estranho caso do super coelho

O estranho caso do super coelho

  • Grupo Conduzir admin
  • 9 de dezembro de 2021
  • Blog

Senhoras e senhores, nunca gostei de futebol… “Ninguém perguntou”, “E daí?”, “Você me dá nojo!”, “Eu também não curto muito”. Tenho certeza que uma dessas frases perambulou por seus pensamentos. Não é, caro leitor? Pois bem, chega de enrolação. 

Aos 14 anos, eu tinha doutorado em “a arte de ser um antissocial”. Por alguma razão, o professor de educação física inventou de fazer um campeonato de futebol entre as turmas do Fundamental II. Obviamente não era obrigatório participar… Por algum motivo, devo ter tomado algum chá de cogumelos no intervalo e, diante de alucinações nas quais porcos peidavam arco-íris e unicórnios faziam pole dance, veio na minha cabeça: “Eu vou! Vou jogar uma pelada!” (sempre achei esse termo estranho e pornográfico). Quem diria, não é mesmo? Coitado do meu time! 

Esse campeonato iria durar cerca de 1 semana, e o time dos meninos e o time das meninas iriam jogar em dias diferentes. O organizador desse evento mirabolante resolveu que as partidas seriam no intervalo. “Bora morrer de fome, pessoal!”.

Um dia depois de eu ter colocado meu nome e sobrenome na lista, se não me falha a memória, Nelsinho (o melhor professor de educação física que já tive na vida) anunciou os nomes: 

“Atenção pessoal! Vamos ver os jogadores do time masculino!”

Fiquei aguardando-o chamar o 9º ano todo trabalhado na timidez… 

“Agora, pessoal do 9º ano!” 

“Ai, espero que isso não leve muito tempo!” pensei com certa euforia. 

“Vamos ver, na zaga temos o grande Matheus…” 

 “Sou eu, sou eu! O grande Matheus Coelho! É sério? Coelho? Eu coloquei Matheus Cuelbas! CUELBAS!” pensava, completamente envolto em sentimentos confusos. Não sabia se sentia raiva, desespero ou indignação.

Hoje em dia, acho engraçada toda essa situação. Me sentia como um super-herói: imaginem um narrador um grave que causa terremotos insanos! Durante as aulas, ele era Matheus Cuelbas, um intelectual fantasmagórico, antissocial profissional e um zé ninguém na multidão cheia de juventude e selvageria! Mas, na hora do lanche, ele tirava os óculos redondos, colocava um colete vermelho e se transformava no grande herói do time! O insano galã que ocupava a zaga com um olhar sexy de miopia! O incomparável Super Coelho! Matheus Coelho! Ele jamais vai decepcionar, pode apostar nisso!

Olha, se você apostou que um míope que raramente jogava futebol (quando jogava era só por obrigação)….. pode declarar falência. Ele parecia mais uma barata tonta em meio aos dribles dos adversários, em meio ao “Oh! Uau! Gaia, gaia! Olha esse chapéu!” da torcida.

Não sei como, mas o meu time pegou o terceiro lugar! Sorte que eu era o único que jogava mal. No fim, Nelsinho falou os nomes dos jogadores dos times finalistas… Quando chegou no meu nome, ele finalmente percebeu que algo de errado não estava certo. 

“Matheus Coelho! Espera…” 

“É Cuelbas, professor” eu disse, todo tímido. 

“Nossa, verdade! Mil perdões Matheus… Foi mal”.

E esse foi o fim da carreira heroica (pero no mucho) do Super Coelho! 

 

 

Matheus Cuelbas

 

 

*O Grupo Conduzir declara que os conceitos e posicionamentos emitidos nos textos publicados refletem a opinião dos autores.